Estava eu, linda vaca mertolenga pastando e mascando num montado ondulado lá pr’ás bandas da Cabrela, saboreando o verde que as copiosas chuvadas da semana passada fizeram crescer tenras na minha pastagem, quando...
Eles entraram, mais de 40, aos magotes, surgiram do lado da estrada de onde o nosso dono nos costuma vir ver, encabeçados por um barbudo com mais de um metro e oitenta que ia dizendo, venham por aqui, agora por aqui, e de vez em quando dirigia-me a palavra
– Olá linda ! Tens um menino muito lindo... Viémos visitar-te !
Mas que intimidades !
Quem lhe terá dado tal confiança ?
E os outros ?
Uns conversavam, outros tiravam fotografias, mas eles olhavam-me !
Olhavam-me com uns olhos muito fixos, grandes... Deviam ser maus...
Felizmente, como apareceram no horizonte do cercado norte, também desceram e saíram lá para os lados do bebedouro sul. Devem ter atravessado o rio.
Mas que susto me pregaram !
Já nem aqui na minha Cabrela posso estar calma e sossegada...
Qualquer dia ainda me fazem aqui um centro comercial à porta....
Já falei com as minhas comadres vacas e todas elas são unânimes, foi a primeira vez que nos aconteceu, e se eles tinham olhos de fazer medo...
PS: O meu dono veio cá dizer-nos que os ditos “turistas” tiveram imenso medo de atravessar o cercado ! Medo eles ? Medo tivémos nós ! Bolas bolas !
Vaca Josefina Cabrela dos Montes do Sado